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Cardiopatias Congênitas

Cardiopatia Congênita é qualquer anormalidade estrutural ou funcional do coração que surge nas primeiras 8 semanas de gestação, quando se forma este órgão no bebê. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto anos mais tarde.

A cardiopatia congênita ocorre em 1 a cada 100 nascidos vivos e, cerca de 30% correspondem às chamadas cardiopatias críticas, que necessitam de intervenção no primeiro ano de vida. O diagnóstico precoce, ecocardiograma fetal, é arma fundamental para o adequado encaminhamento destas crianças ao tratamento corretivo, sendo o índice de mortalidade, desta enfermidade, muito alto se não forem tratadas em tempo adequado.

O ecocardiograma fetal é imprescindível durante a gestação para diagnóstico e acompanhamento das cardiopatias congênitas. Há chances reais de cura e correções para os mais complexos defeitos nas estruturas do coração.

TRATAMENTO

Hoje em dia com os recursos tecnológicos muito avançados, as cardiopatias congênitas tem sido tratadas até intra útero e as mais complexas cardiopatias tem tratamento cirúrgico precoce.

NÚMEROS

1%do total de bebês que nascem no Brasil tem alguma cardiopatia congênita.

Isso significa aproximadamente 29 mil novos casos todos os anos.

50% das cardiopatias congênitas precisam de tratamento até 1 ano de idade.

Fonte: Ministério da Saúde (2017)
Hospital e Maternidade Santa Joana (2019)

 

As cardiopatias congênitas podem ser classificadas em acianóticas (nível de saturação de oxigênio normal no sangue) e cianóticas (nível de oxigênio baixo no sangue), e com hiper ou hipofluxo pulmonar de sangue.

Exemplos de cardiopatias que causam excesso de fluxo sanguíneo para o pulmão:

  • Comunicação intraventricular (a mais comum; corresponde a 20 e 40% do total de cardiopatias congênitas)
  • Comunicação interatrial
  • Persistência do canal arterial

Exemplos de cardiopatias que causam diminuição de fluxo sanguíneo para o pulmão:

  • Estenose pulmonar
  • Tetralogia de Fallot
  • Atresia tricúspide

Exemplos de cardiopatias que causam obstrução à passagem de fluxo sanguíneo:

  • Coarctação da aorta
  • Estenose valvar aórtica
  • Estenose subvalvar aórtica

CAUSA

Não existe uma causa possível de ser identificada para a maioria das cardiopatias congênitas. Ou seja, elas estão associadas a alguma alteração genética que interfere na formação do coração do bebê. Em alguns poucos casos, porém, podem ter relação com a presença de doenças específicas nas mães durante a gravidez, como:

  • Rubéola
  • Toxoplasmose
  • Lúpus
  • Hipotireoidismo

Isso não significa, porém, que todas as mães que tiveram essas doenças terão um bebê com cardiopatia congênita. Trata-se apenas de um possível fator de risco.

Também são considerados mais susceptíveis às cardiopatias congênitas os bebês que nasceram com doenças cromossômicas, como:

  • Síndrome de Down
  • Síndrome de Edwards (ou trissomia 18)
  • Síndrome de Di George
  • Síndrome de Marfan
  • Síndrome de Noonan
  • Síndrome de Patau
  • Síndrome de Turner
  • Síndrome de Williams

Nesses casos, o ecocardiograma fetal é ainda mais importante, mesmo que o ultrassom morfológico esteja normal. Só assim será possível avaliar as chances de o bebê ter uma cardiopatia congênita e programar melhor seu nascimento, proporcionando assim uma gravidez mais tranquila para toda a família.

DIAGNÓSTICO

Para que as condições de tratamento sejam melhores, o ideal é que o diagnóstico de cardiopatia congênita seja feito ainda no pré-natal. Por isso, é fundamental acompanhar a saúde do bebê antes mesmo dele nascer. Uma equipe multiprofissional especializada realiza desde consultas de acompanhamento de rotina até os exames mais sofisticados. Diante da descoberta de qualquer problema, como uma cardiopatia congênita, o acompanhamento da gestação será mais intenso para que a saúde e o bem-estar do bebê e da mãe sejam preservados com o máximo de segurança possível.

Alguns casos de cardiopatias congênitas podem ser diagnosticados no ultrassom morfológico. No entanto, o exame mais indicado, já que detecta de 70% a 90% dos casos, é o ecocardiograma fetal, realizado em geral durante a 28ª e 32ª semana de gestação.

Os médicos ginecologistas, obstetras e pediatras são, geralmente, os responsáveis por detectar as cardiopatias congênitas. No entanto, é fundamental que a própria gestante e seus familiares tenham consciência da importância da realização do ecocardiograma fetal e de outros exames que constatam essas doenças.

EXAMES

Após o parto, exames físicos e outras avaliações complementares podem ser realizados pelo médico neonatologista com o intuito de confirmar a presença ou não de problemas no coração do bebê. São eles:

  • Ecocardiograma (exame mais importante)
  • Teste do coraçãozinho (equipamento de oximetria de pulso é colocado na mão direita e em um dos pés do bebê para medir a quantidade de oxigênio no seu corpo)
  • Raio X de tórax
  • Eletrocardiograma
  • Ressonância cardíaca
  • Angiotomografia cardíaca

Alguns dos principais sinais e sintomas das cardiopatias congênitas nos bebês são:

  • Dificuldade no ganho de peso
  • Cansaço e transpiração excessiva
  • Respiração pesada durante a mamada e o sono
  • Irritação frequente
  • Ponta dos dedos e lábios arroxeados (cianose)

ACOMPANHAMENTO MÉDICO

Algumas crianças nem precisam de tratamentos específicos, somente de acompanhamento médico especializado. Na maioria das vezes, porém, o tratamento é necessário e exige cirurgia, o que, embora não seja o desejo de ninguém, é a única forma de resolver o problema e garantir uma vida saudável para o bebê.

Em cerca de 50% dos tratamentos com cirurgia, o procedimento ocorre antes do bebê completar 1 ano de idade, sendo muitas vezes nos primeiros dias ou semanas de vida. Nos casos mais complexos de cardiopatias congênitas, quando assim for necessário para o bom desenvolvimento do bebê, costuma-se realizar uma estratégia de tratamento conhecida como híbrida, na qual utilizam-se cateterismo e uma ou mais intervenções cirúrgicas.



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